segunda-feira, 31 de março de 2014

Porque o amor não acaba, apenas precisa do rosto certo.

O mundo acaba, é verdade. Tudo o que construí e elevei, a ferro e fogo, com lágrimas e suor, ruiu com um frio e seco acabar oriundo da tua bonita boca. Sim, senti o chão fugir e, por mais que tentasse, nunca conseguiria evitar cair no fosso da tua decisão. Não tive escolha ou possibilidade de me agarrar a algo. Caí, caí tão vertiginosamente que ainda hoje procuro uma saída na escuridão. Mas atenção, o amor nunca morre. Posso deixar de acreditar em ti, posso, por momentos de fraqueza e insegurança, duvidar de mim, mas não duvidarei do amor. Será esse o amor que vivi contigo? Não, não é desse que não duvido. Não duvido do amor que te dei. O genuíno, sincero, talvez grande demais para o pouco respeito que tiveste por mim. Esse amor foi excessivo, não merecias tanto e eu não merecia tão pouco. Mas o meu amor foi verdadeiro e honesto, foi indelével e, por vezes, cego! Foi amor daquele que arde e não tenciona parar. Foi amor tão intenso que por vezes tive medo de me queimar. E queimei-me. O amor que te dei foi tão teu que nem eu ousei meter-me pelo meio. 
Deixei-me ficar a ver-te “aproveitar” todo o amor que te dei. Para mim, cada sorriso teu pedia mais amor, não um agradecimento pelo que te dava. Hoje, deixaste-me, viraste as costas ao meu amor, a tudo o que te dei. Hoje, desmoronaste a casa que construí em amor. Pensei que a casa fosse indestrutível, pensei que fosse a tua casa de sonho. Para mim, a casa que construí era a minha casa, o meu lar, onde podia descansar e sentir o dócil ambiente familiar. A minha casa era pintada da tua cor preferida e, sem a menor dúvida, davas-lhe vida por dentro. Pincelavas harmoniosamente cada bocado daquelas paredes com o teu jeito de ser, com a tua presença, com o teu sorriso. As paredes eram decoradas pelo teu retrato, as tuas fotografias pairavam em todo o lado e a minha cama era a tua cama. A cama que partilhava contigo era a nuvem do céu em que me cansavas fisicamente e a mesma em que repousava a alma. Hoje não tenho nem casa nem alma, sou sem-abrigo e vagueio ao frio, à procura do meu rumo. Hoje, procuro um lar que me acolha, um lar que eu goste e que possa torná-lo meu. Quero uma casa decorada com o que mais gosto e poder sentir-lhe hospitalidade. Agora, passo à tua casa cambaleando, vejo a mesma cor exterior, mas uma decoração interior extremamente diferente. Vejo que mudaste o lar que construí. Não pode ser tão grande quanto o que te dei porque o tempo não o permite e porque o arquitecto, o engenheiro e o pedreiro são (o) outro(s). E, sem querer entrar por aí, os meios disponíveis são outros, de uma construção muito mais simplificada. Não queiras comparar o incomparável. A casa que te dei demorou 7 anos a erguer. A casa que eu te construí tinha telhado reforçado, tendo em conta todas as tempestades enfrentadas, e tinha vidros duplos, evitando que o desdém exterior aniquilasse tudo o que construí. Mas, por mais sólida e consistente que a casa fosse, ela dependia sempre do uso que tu lhe querias dar. Trataste de abrir as janelas de vidros duplos, quiseste empoleirar-te para ouvires o exterior, tentaste-te a chamá-lo para dentro e começaste a ajustar o lar que construí à opinião do(s) outro(s). De forma rápida e surpreendentemente, o lar que te dei mobilou-se à imagem de terceiro(s). O meu lar ruiu, a minha construção de uma vida desmoronou-se. No fim, de nada valeu, nada restou.
Mas acredita, o meu amor não acabou. Saí da casa que construí com o sabor de derrota, com o coração nas mãos e um peito cheio de nada. Saí da casa que te dei com o sentimento de injustiça, frustração e desilusão. Sim, é verdade, expulsaste-me da casa que te dei. Contudo, saí com o amor que me aquece o coração. Sim, dei-te tudo em amor, fiz tudo o que sabia para te amar e entreguei-te o que de melhor eu sou. Sim, quebraste-me, em pedaços tão pequenos que jamais serei capaz de me reencaixar. Todavia, sei que o amor não morre, apenas precisa da pessoa certa para construir paredes de betão e um lar a que chamamos de NOSSO! E aí sim, não será construído por mim, a todo o custo. Será apenas uma harmoniosa obra construída a dois, por um NÓS, recheada de retratos comuns e pintada com as NOSSAS cores, as cores do amor. Um dia serei feliz e saberei que ser feliz passa por sê-lo a dois. Afinal de contas, o amor eu já tenho, apenas preciso de lhe dar o rosto certo.

Reencontrar a liberdade

Os dias vão passando e a solidão torna-se a minha melhor companhia. Faz tempo que não tinha tanto tempo para mim. Os amigos são a distracção do dia, o futebol ocupa as horas mortas e a família preenche qualquer espaço em falta. Pelo meio vêm os passeios à beira mar, as leituras exaustivas, o prazer de saborear a boa música e os filmes de domingo. Há coisas que só fazia contigo e custa torná-las minhas. Outras, por opção e falta de oportunidade, ainda são tuas, ou melhor, nossas. Mas juro-te, são cada vez menos, talvez as mais especiais... Sei que o tempo, lentamente, vai devolvendo o que é meu e estou, gradualmente, a aprender a viver comigo, a ouvir-me e, de uma vez por todas, a pensar em mim. A tua partida fez-me encontrar o meu rumo no meio de todo o desespero e angústia. Hoje sinto que a tua fuga fez-me olhar para dentro e ver quem realmente sou. Tudo o que faço, agora, faço-o por mim e, sinceramente, a minha maior loucura está no facto de me pôr em cada acto, em cada palavra e pensamento. A vida deu-me uma nova oportunidade para aprender a vivê-la e cabe-me agarrar essa chance com unhas e dentes, mas sem pressas ou precipitações. Um dia de cada vez, sem planos demasiado complexos e profundamente bilaterais. Numa só palavra, sinto-me livre, e sabe bem reencontrar-me.

domingo, 30 de março de 2014

A dor da ausência e a tormenta da omnipresença

A noite caiu, o corpo cedeu e deitou-se naquele que era o nosso ninho. De repente, a minha cabeça lembra-se de te recordar. O travesseiro presenteia-me com o teu cheiro, tão teu, tão viciante. Os meus olhos, fechados, vêem cada traço do teu rosto a rir-se para mim, como tantas vezes o fizeste, como sempre te levei a fazê-lo. Pelo meu corpo sinto um formigueiro ligeiro, como se do teu toque suave se tratasse. Juro-te que sinto aquelas cócegas embaraçosas ao receber os teus beijos na minha barriga - sempre foi ponto fraco. O corpo estremece e a alma rejubila. Sinto-te aqui tão perto e deixo-me levar pelo encantamento da lembrança. Mas, espera, isto não é real, não é correcto e não é saudável. Na verdade, tu já não és aquela que se deita a meu lado, nem estás interessada em beijar-me e percorrer cada bocado do meu corpo com a ponta dos teus dedos ou com os teus suaves e encarnados lábios. Não podes ser recordação tão presente e, custe o que custar, terás de sair definitivamente de mim. Viro-me para o lado com o coração a mil. Sinto-me perdido, ferido de morte e, ainda que a medo, expulso-te de mim sob a forma de uma lágrima.

Hoje senti-te minha mas há muito que já sou teu

Agarrei-te e puxei-te por um braço. Agora, analisando a frio, talvez tenha sido demasiado impiedoso, másculo e bruto. Mas agarrei-te pelo braço para trazer-te até mim, para sentires a firmeza que as minhas palavras teimavam em não demonstrar. Eu suei, gaguejei e esqueci-me de todas as frases decoradas, planeadas e devidamente treinadas. Só uma coisa não foi ensaiada: aquele maldito agarrar do teu braço. Para te ser sincero, o meu corpo desejava tocar-te mas a minha cabeça bloqueava qualquer tentativa de aproximação - perfeito embaraço. Se o agarrão foi agressivo, mais uma vez desculpa. O que se seguiu foi do mais puro e genuíno que podias encontrar. Os meus lábios tocaram nos teus de um modo suave, tão delicado que tive medo de não sentires o sabor do meu beijo. Mas sentiste, sei que sim. O teu braço, outrora agarrado, rapidamente se libertou das minhas amarras e ambos cercaram o meu pescoço. Estavas em modo predadora e sabia que não tinha hipóteses de escapar. Provei do teu veneno e acredita, amor, estou morto de desejo por mais e mais. Hoje senti-te minha mas há muito que já sou teu.