sexta-feira, 11 de abril de 2014

A simplicidade da vida

Ela sorria como se concentrasse toda a felicidade do mundo no seu rosto. Estupefacto, fixei-a intensamente sem ser capaz de descolar. O seu sorriso era tão brilhante que até o sol se escondia de tamanha vergonha. Ela era perfeita, ela era a luz do meu dia. Sem palavras, deixei-me ficar a olhá-la. Despreocupada, ela sorriu o dia todo.
Mais tarde perguntei-lhe se ela amava, mas amor de verdade. Ela agarrou-me pela mão, levou-me a ver as estrelas, mostrou-me o mar e todo o imenso areal que nos rodeava. A praia estava deserta, era noite cerrada e só a lua nos dava a luz que a água espelhava. Apertou-me a mão, levou-a ao seu peito e fez-me sentir o bater do seu coração. De seguida beijou-me, delicadamente, enquanto sorria. Não foi preciso beijar-me de língua, tampouco demoradamente. Não foi beijo de Hollywood, foi verdadeiro e sentido. Recebi a mensagem, ainda assim, necessitava de palavras para sossegar o coração.
- Estás a ver o meu sorriso? Também é teu. Olha à nossa volta, tudo o que vês é belo e não há nada mais para além de nós.
Eu olhei-a sem saber o que lhe dizer. Fiquei novamente sem palavras. Como o raio da mulher me deixa! Parece tudo simples e sereno, como se visse um outro lado do mundo. Resolvi fazer-me despercebido, com o intuito de ouvir mais:
- Como assim? - Perguntei com ar confuso.
- Amo viver, amo tudo o que me faz feliz. Passei todo o dia a rir, esquecendo-me de que na vida há algo para além de rir. Contigo a vida parece descomplicada, simples e bonita. Contigo sinto-me a viajar pela infância, onde tudo era alegria. E perante isto, para quê mais, quando me dás tudo?
Senti-me embasbacado. Podia dizer orgulhoso, sortudo ou realizado, mas a minha falta de postura corporal era tal que não a conseguia esconder. Aquele ser angelical acabou de me dar a maior declaração de amor sem cair na inevitabilidade do amo-te. Era perfeita, transformava a noite em dia, pincelava alegria até no quadro mais negro e eu era o idiota que vivia consumido de medos e perguntas estúpidas.
Ela levantou-se, sacudiu a areia dos seus calções curtos e estendeu as mãos para me auxiliar a levantar. Eu já não agia, reagia. Não sabia mais o que dizer ou fazer. Em pé, abraçou-me, mordeu-me o queixo e deu-me um amo-te em forma de sorriso.
Para mim, aquele amo-te teve a medida do meu dedo anelar.

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