terça-feira, 8 de abril de 2014

Decorei o teu sorriso.

Lembro-me de te ver sentada naquela mesa rectangular. Haviam livros e mais livros naquela mesa. Comecei por ouvir uns risos discretos de quem cochicha entre si. Tu e as tuas amigas falavam de algo ao qual era alheio. Ou melhor, eu era alheio a tudo. Não percebia o que vinha nos vossos livros e não conhecia nenhuma rapariga ali sentada. Apenas a vossa colega com quem me dirigi à mesa. Depois da apresentação ao grupo, trocámos sorrisos meramente formais, cumprindo as regras de bom trato e boa educação. Mas o teu sorriso soou a música. O teu sorriso foi como se de uma brisa fresca se tratasse. Ao pé de ti, todos os rostos pareceram-me iguais e banais, dignos do esquecimento. O teu decorei-o, tornei-o memória. Ainda hoje imagino-o na minha cabeça. Desculpa não te ter pedido licença, desculpa a ousadia, mas guardei-o. Senti que algo tão belo não merecia ser esquecido no baú das memórias. Daí para a frente contei pelos dedos da mão as vezes que te vi. Nunca fui de puxar conversas, nunca fui namoradeiro e a timidez caminha de mão dada comigo. Apesar de tudo, durante algum tempo ainda ouvi a tua voz, em simples e breves conversas, as nossas conversas de ocasião. Eram engraçadas, cativantes como a tua personalidade e brilhantes como o teu sorriso. Sim, o teu sorriso, sempre ele. Não me sai da cabeça (não sei se já disse isso), desculpa...
Agora deixei de ouvir a tua voz e os meus olhos não te encontram. Ainda assim, todos os dias imagino-te, encho o peito de ar e ganho coragem para te falar. No minuto seguinte volto a imaginar-te, sinto o coração a saltar do peito e acobardo-me no recanto do meu silêncio. Não te tenho encontrado, foram poucas as vezes que tive o privilégio de me cruzar contigo, mas todos os dias te vejo com o meu olhar mais intenso: o olhar do coração.

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