sábado, 10 de maio de 2014

A ninfomaníaca

Eu sou uma mulher diferente de todas as outras. O meu problema? Sou viciada, viciada como a maioria das mulheres. Toda a mulher é viciada em algo, em sapatos ou compras, em telenovelas ou comédias românticas. "O sexo e a cidade" desencadeia dependência feminina, mas eu sou viciada em orgasmos! Vocês podem dizer que todas nós somos, que ninguém resiste a um orgasmo e que isso é uma exigência comum. Enganam-se. Vocês esperam por um durante 15, 30 ou 40 minutos, muitas vezes não vem mas ainda assim sentem-se realizadas ao verem o prazer na face do vosso companheiro. Vocês aguentam uma semana ou um mês para se sentirem realizadas durante escassos minutos. Uma grande diferença. Eu entrego-me um número infindável de vezes durante uma semana e apenas admito esperar 30 minutos por nova repetição. Surpresas? Também fiquei, mas ser ninfomaníaca tem muito que se lhe diga.
A minha vida resume-se a corpos suados, gemidos fingidos e frustrações constantes. Perdi a conta ao número de parceiros que tive. Vocês têm namorados, amigos coloridos e algo do género. Namorados tive 2, duraram pouco porque nunca me sentia realizada e completa. Acreditei que a culpa fosse deles, por serem demasiado românticos ou  muito acanhados. Longe de pensar que talvez fosse eu o problema. Mas como seria eu o problema? Só queria sentir o que o homem sente, ter aquelas cãibras habituais, aquela incapacidade de falar e a contracção dos dedos dos pés. Bloquear por instantes e sentir. Só isso, sentir, ter  um instante de prazer que me levasse a desejar permanecer no céu, perto da morte.Todavia, tudo o que tenho é a sensação de querer e não ter, de chegar perto e ficar aquém. A frustração que qualquer mulher não deseja e que qualquer homem procura não vivenciar.
Foram muitas as camas que deixei em agonia, tantos os lençóis que mordi de raiva, e perdi a conta aos homens que satisfiz sem o merecerem. Para eles tudo era prazer, para mim não passava de desilusão. A busca pelo sexo perfeito continuou, uma necessidade que não podia ignorar, um vício que não me deixava parar. Orgasmos eram a minha droga, a droga que me fazia ir mas não me vir. Experimentei de tudo um pouco, todas as aventuras possíveis, homens dos mais variados tipos, raças, tamanhos e cores. Procurei quem melhor conhece o meu corpo - as mulheres- e tudo mais que me pudesse adormecer tamanho desejo. Tudo em vão. O que me fazia rir? ouvir as mulheres comuns, de trazer por casa, desejarem ser "ninfos" para puderem fazer sempre que lhes apetecesse, terem sempre desejo e quererem mais e mais. Pobres coitadas, como aguentariam estas mulheres, presas ao engano de falsos orgasmos dados por carecas barrigudos e peludos, viverem uma vida inteira sem amor? Para elas aquele é o acto sexual que têm e que gostam, de uma sensação tão pequena para o seu corpo, mas tão repleta para a sua mente. Elas têm o maior orgasmo do mundo, o amor. E satisfazem-se diariamente, em cada gesto ou palavra, em cada olhar de cumplicidade. Um dia alguém escreveu o "comer orar e amar", mas mulheres, em comum apenas rezamos.
O meu maior segredo? Vejo corpos onde outros deslumbram corações. Bem-vindos à minha (a)normalidade, num mundo de aberrações.

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