sábado, 3 de maio de 2014

E tudo a porta fechou

Olhei-te, virei-te as costas e saí. Bati com a porta na esperança de nunca se fechar, na esperança de evitares o seu barulho final e ruidoso. Tu não negaste o seu fecho e a mesma porta que usei para te trazer até mim, dividiu-nos. Triste desfecho. Não fui capaz de sair a correr ou caminhar para longe. Fiquei ali, colada à porta, na esperança de a abrires e eu desequilibrar-me para os teus braços. Bastava isso, sem qualquer palavra, sem qualquer esforço, cairia de novo nos teus braços e estaríamos os dois do mesmo lado, dentro da nossa casa. Mas tu não o fizeste, permanecias do lado de lá, sem qualquer demonstração de arrependimento ou tentativa de conciliação. 
Eu cometi esta loucura na tentativa de me amparares, de me chamares à atenção e dizeres, com toda a tua sensatez sonhadora, que o mundo não passa de ti e das nossas quatro paredes, que a porta separa a nossa vida da selva, lá fora, onde precisamente estou. Podes achar que sou maluca e que não merecias esta bipolaridade, mas eu  não merecia a tua inércia. E assim ficou claro, desististe de mim no momento em que a porta se fechou.
Talvez seja mesmo uma mulher da selva e tu um louco acomodado.

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