terça-feira, 13 de maio de 2014

Não há 2 histórias iguais

Estava a escrever quando entraste. O livro era preenchido por apenas uma palavra: Amo-te. Essa palavra preenchia todas as folhas, ocupava todas as linhas. O livro folheou-se rapidamente com o teu passar e tu não viste o que ele continha. Bastava teres lido uma palavra para saberes toda uma história. Bastava que parasses para ele se entregar. Tu passaste, olhaste fixamente como quem se despede em ternura. Eu disse-te "olá" como quem pede para ficares.
Tu sentaste-te e eu calei, folheaste o livro e eu esperei. Depois de o leres, limpaste a lágrima que te escorria pela face e disseste em lamento:
- Só agora me dás a conhecer esta pequena maravilha? Logo agora que não tenho espaço na minha estante... Lê-lo é tudo o que posso fazer...
Olhei-te como quem implora, suspirei como quem sente a proximidade do fim.
- É um livro lindo, maravilhoso! Recomendarei a toda a gente. Espero que o dês a conhecer a tempo, pois nenhuma mulher ficará indiferente a uma história destas.
Eu sorri e encolhi os ombros, tudo o que te podia dizer. Estava na hora de escrever uma nova história, um novo livro, um novo rumo. Aquelas páginas, outrora preenchidas a tinta permanente, viraram brancas e o meu peito ficou vazio. A vida é feita de histórias e, tal como os livros, não há duas pessoas iguais.

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