quinta-feira, 29 de maio de 2014

Não fomos mais do que sonhos

Eu tentei, juro-te que tentei. Lutei contra tudo e todos, contra os que anteviam fracasso, contra os que teimavam em ver o fim antes sequer do começo e lutei contra mim. Sim, sei que fui um dos nossos piores inimigos. Os meus medos e inseguranças levaram-nos por um caminho longo e sinuoso. Mas, essencialmente, lutei contra o destino. Nada batia certo, tudo dava ao lado e nós teimámos em enfrentar as tormentas juntos, unidos e a uma só voz. Fomos corajosos, partimos à descoberta onde outros se recusavam a embarcar, navegámos em águas bravas, onde a maioria naufragava. Mas esta vontade de marcar a diferença, de enfrentar o impossível, acabou por cegar-nos. Devia ter visto que os sonhos que vivia eram os nossos e os teus. Foi tudo o que vivi e perdi-me neles. 
Hoje, em águas bem mais calmas - se bem que não se bóia por muito tempo no mar da vida - parei para pensar, para olhar para trás e ver o que somos. Estamos cansados das nossas batalhas hercúleas, estamos saturados do tempo que perdemos a lutar e fartos do que ficou por viver, perdido em sonhos. Sinto-me exausto de viver a sonhar. Estou cheio de sonhos do dia a dia e de viver anos e anos a adiar, a esquecer ou a perseguir o que me foge. Parei e vinquei os pés bem firmes no chão. Não há mais pernas para andar, não há mais estrada para nós. Estou farto de viver tanta coisa e sentir tão pouco. Deixei de te sentir quando deixei de acreditar nos sonhos. É o fim, estamos acabados e não fomos mais do que sonhos. O sonho comanda a vida, mas o amor é muito mais do que um sonho, tem de virar realidade.

(E a palavra sonho foi repetida vezes sem conta, para mostrar que também cansa)

Sem comentários:

Enviar um comentário