terça-feira, 13 de maio de 2014

O nosso pedaço de céu

Trouxe-te pela primeira vez aqui. Sei que nunca tinhas voado tão alto, tampouco permanecido no céu. Sei o que sentes e que agora não necessitas de palavras. Serão todas excessivas. Estás aí porque fui eu que te levei até lá e isso basta-me para partilhar o momento. Meto a minha cabeça no teu peito e ouço o bater do teu coração. Fecho os olhos e procuro sincronizar a minha respiração com a tua. Sentir-me o mais próximo possível de ti é tudo o que quero. Tu agarras-me a cabeça com a tua mão grande e macia, enrolas o meu cabelo nos teus dedos e arrepias-me a alma.
- Amo-te - dizias-me pela primeira vez, após termos ido ao céu.
Fui novamente projectada para as nuvens. Senti que estavas tão bem que não querias descer. Eras homem de muitas outras camas, de muitos outros braços, mas de poucos amo-te. Percebia que ir ao céu não era costume e que a tua experiência acabava onde a minha começava.
Éramos dois corpos deitados numa cama, dois seres completamente opostos, com intersecção marcada algures no céu.

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