quarta-feira, 28 de maio de 2014

Odeio-te

Odeio-te! Se odiar é negar a tua existência, é claramente isso que eu sinto. Odeio o que é teu, o que dizes, fazes, o que és e foste. Odeio o que sou porque, em parte, também sou teu. Como posso suportar essa sensação de repulsa que me despertas? Quero olhar-te e não te ver, quero ouvir o teu nome e não sentir. Odiar-te passa por desejar ver-me ao espelho e não ser eu, não te ver em todos os meus traços, rugas e sorrisos. Odiar-te é saber que és tudo o que vivi. O quanto te odeio tem de me sedar, tornar-me imune ao teu nome, ao teu cheiro, à tua ausência... 
Amo-te. É evidente, não é? Palavra curta quanto o antónimo, onde te volto a encontrar. Porque oscilas em mim? Porque me dás o que de melhor e pior eu sou? No fundo, sou-te, onde te voltas a encontrar. 
Odeio-te. Terminarei sempre com um odeio-te, todas as vezes que te amar.

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