segunda-feira, 19 de maio de 2014

Rita

A Rita era uma menina de cabelos castanhos, encaracolados e compridos, dona de uma beleza tão simples que a destacava das demais. A simplicidade daquela rapariga dava-lhe um encanto tal que todos à sua volta se rendiam. Os seus olhos, cor de avelã, transmitiam um mistério que a sua boca soletrava. Toda a vez que a via sentia-me mergulhado em sonhos.
A Rita era mais do que o corpo dos seus 14 anos. Era uma mulher em ponto pequeno, responsável e capaz de lidar com os problemas da vida, de mãos na cintura e de peito para a frente. Encarar os problemas era meio caminho andado para resolvê-los, ela sabia disso e procurava enfrentá-los, olhos nos olhos, como os adultos (nem todos!), como os bravos. Mas tinha consciência das fragilidades da sua tenra idade, sabia que também fazia parte da aprendizagem meter a cabeça na almofada e chorar, de vez em quando duvidar do mundo e duvidar do seu lugar no mesmo. Só quem não se lembra dos seus 14 anos é que não percebe. As emoções fervilham, a razão começa a ceder o seu espaço para as emoções e o corpo torna-nos maiores do que verdadeiramente somos. Mas aquela menina era diferente. Aquela menina personificava a natureza, uma força da terra que dava valor ao chão que pisávamos, capaz de iluminar todos os que a rodeavam e de destruir todos os que a espezinhavam. Era como a natureza, sim, ora fazia sol, ora chuva, ora dava verão, ora aniquilava tudo com a sua tempestuosidade. Uma vez calma, era primavera, dia quente e brisa ligeira, era flor nascida e regada em carinho.
A Rita tem 14 anos, ainda muito para crescer. Cresce, vive e faz, Rita, faz acontecer, dá asas ao teu mundo e voa, sê feliz. Apenas não mudes, mantém-te fiel ao que és. Contigo, outras mulheres têm muito a aprender.

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