quinta-feira, 26 de junho de 2014

tu foste, ficaste,
enrolaste e não partiste,
deixei ir o que levaste
todo um amor que desististe

Foi nas camas de várias ruas
que te desejei em solidão,
foram estrelas foram luas,
foram céus de ilusão

E hoje passas e não paro
chamas mas não cedo,
o meu amor foi tão raro
mas perdeu-se, virou medo.

terça-feira, 24 de junho de 2014

E se eu desistir?

E se eu desistir? Tudo o que me apetece é pegar na vida, embrulhá-la bem embrulhada e jogá-la fora, por uma janela entreaberta, levando-a a cair numa estrada qualquer, ser atropelada por carros, pisada por sapatos apressados e rasgada por outras mãos que a queiram. Apetece-me dar sofrimento a uma vida na qual não me revejo. Desejo que perceba como me faz sofrer, devolver-lhe a dor e o sofrimento que merece. Mas esta atitude leva tudo o que sou. Sou a vida que tenho, as dificuldades que surgem e a (in)felicidade que carrego. E se eu desistir de mim, onde me hei de encontrar? Quem serei? Nada, ninguém, a não ser um cobarde. Nada mais que um fracasso do qual ninguém se orgulhará. Olho para a vida como se fosse a folha de papel amassada que tenho nas mãos. O que farei com ela? Nada nem ninguém me poderá responder. A vida não é feita para desistir, apenas para se viver. E se eu desistir de tudo nada mais me restará, ninguém dará por minha falta. Vou renunciar à ideia e ganhar coragem para viver. Talvez seja cobarde demais para desistir ou amorfo demais para continuar.
Estico a folha engelhada e leio tudo o que contém. É a vida que escrevi para me lembrar o que sou. E a vida não acaba ali. Pego numa nova folha em branco e enfrento o destino. Ainda há tanto para escrever que só tenho de me deixar ir. Uma nova vida me espera e só desiste quem não merece viver.

E saber viver é a maior dádiva que o homem sábio dispõe.

quando a porta se fecha e a noite vem

Chego a casa, fecho a porta e fico imóvel, encostada à fronteira que me divide de ti. O meu amor é isto, suster as pernas quando estou ao teu lado e sentir o seu desmoronar quando te vais. Meto música e danço, danço com todo o amor que trago no peito. Como posso sentir-me sozinha com tanto amor em mim? Danço, salto e abraço-me ao travesseiro. Regressei à adolescência, ao puro balanço das primeiras paixões. Mas desta vez é amor, só o amor é capaz de trazer a adolescência de volta, passado tanto tempo.
Amar-te não passa de tudo isto, festejar cada olhar, dançar com cada palavra. E amanhã, quando estiver contigo, tudo será normal, sem música, sem dança, sem adolescência. Talvez um dia te mostre o que se passa quando a porta se fecha e a noite vem.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Um amor sem volta

Amei-te em promessas de para sempre. Prometeste-me a eternidade enquanto corria a dar-te o mundo, a vida, o amor e tudo o que conseguia. Prometeste-me a coragem quando me entregava despido de armaduras, nu de sentimentos. Prometeste estar sempre lá e agora és tudo o que me falta. De um momento para o outro prometeste não mais voltar e volta e meia a vida traz-te de volta para mim. Não percebo as voltas que a vida dá, muito menos perceberei o nosso amor. Mas este fim não tem volta e nunca mais voltarei para ti.

sábado, 21 de junho de 2014

Diana: o meu Templo

Esta cidade esperava-me e comigo seguia uma vida de problemas, esperanças e ambições. Era a cidade ideal para recomeçar e voltar a viver, era tudo quanto queria. Naquelas ruas sentia-me um estranho num local que nada fazia para me receber. Na mala trazia toda a coragem que os sonhos dão mas tremia com o medo do desconhecido. E sonhar é tão difícil quando nada se conhece. Mas tudo mudou no dia em que fui ao bar e te encontrei. Na memória guardarei o teu pedido: uma caipirinha, ali, tão longe de casa, tão perto de mim. O teu português rapidamente me chamou a atenção. Falavas com os teus amigos na língua de Camões, tão longe de casa, num universo longínquo. 
- Ele é giro e olhou-me - disseste com a confiança de que ninguém ouvira a não ser aqueles dois receptores.
Eu ouvi e percebi que podia ser eu. Seria egoísmo a mais remeter a conversa de uma desconhecida para mim, mas o teu português e os olhares que insistentemente me davas levavam-me a crer que podia muito bem ser eu. Porquê eu entre tantos outros, porquê eu ali, longe de tudo o que sou? Só havia uma hipótese de saber. Andei na tua direcção. Olhaste-me como quem me pergunta onde vou, como quem pede para continuar a caminhar. Eu respondia-te com toda a calma que tentava conter e com a adrenalina a consumir-me. Uma mistura perigosa quando (se) começa a falar (com) (d)o coração.
- Hi! - primeira abordagem que nada primou pela originalidade. Possível tiro no pé, pensara.
- Hi - responderam-me de forma simples, com a mesma criatividade que apliquei. Senti-me de passagem quando queria ficar. Mas para ficar teria de usar o meu maior trunfo, possível causador de forte embaraço. Olhei-te afastando os teus amigos do meu campo visual. Eles que me desculpassem mas tu preenchias qualquer olhar. Sorri antes de te falar numa altura em que passavas os dedos pelo cabelo, perto da orelha. O teu tique de quem se entrega em silêncio.
- Queres outra caipirinha? - estas palavras eram a tua casa e sabia que irias ver em mim um porto seguro.
Tu arregalaste os olhos e ficaste boquiaberta. O meu português era perfeito e falar-te assim significava ter ouvido as tuas palavras. Senti-te tão desconfortável que te via diminuir e diminuir a cada segundo. Perdias tamanho para tanto embaraço. Eu ri-me e pisquei-te o olho, confiante dentro dos possíveis, enfrentando a incógnita reacção da tua timidez. Os teus amigos riram-se até mais não e safaram-nos do bloqueio.
- És português? Brutal! - exclamaram em modo pleno de satisfação, sentido por todos aqueles que vivem com um país na memória, juntando bocadinhos dele à distância.
- Sim, sou português, de Portugal! Desculpem não me ter apresentado. Sou o Lucas.
- Lucas, muito prazer, sou a Diana - assumiste o protagonismo da conversa.
O resto, sem faltar ao respeito, não me recordo bem. A minha memória temporal acabou em Diana e no teu sorriso recomposto. Hoje continuo longe do meu país, longe dos meus pais e do lugar que me viu nascer, mas tenho Portugal em casa. Passaram 3 anos desde a minha aventura por estas terras e outros tantos desde que te conheci. Tenho Portugal em casa, Portugal no meu peito, e tu, Diana, és o meu templo. O destino quis que te encontrasse a milhares de quilómetros de distância, dando-me a conhecer o que de melhor tem aquele nosso rectângulo: o amor, a aventura, a descoberta.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Pequeno desabafo de uma mulher que ama

O que dói não é amar-te, mas sim não poder dizê-lo. A dor vem de te ver com ela, todos os dias, nos mesmos caminhos que a vida nos deu. Não sou ela, nãos és meu, não sou mais eu. A mão que a agarra firmemente, largou-me, deixou-me para trás sem nada mais querer. A boca que a beija esqueceu o meu sabor e a voz que lhe fala... ainda a oiço dizer o meu nome. Doce delírio. Ela fecha os olhos quando a abraças e eu dava tudo para poder fechar os meus cada vez que te vejo. Mas quando os fecho sonho-te, imagino-te, recordo-te e não saio do mesmo. Não sais de mim, mesmo sabendo que estarás dentro dela...
Controlo a tempestade emocional que me consome e falo para o meu interior: Tudo vai ficar bem, rapariga. És forte, limpa as lágrimas e levanta a cabeça. O que és ninguém será, mesmo que alguém ocupe o que já foste.

Sou amor. Apenas amor

Não te posso prometer nada mais que não seja amar-te. Desculpa, mas sou amor. Não sei se para ti é o suficiente, não sei se amar-te basta. Mas eu sou só amor e não passo de tudo isso.
Se queres alguém que te ame todos os dias, que te acorde de sorriso no rosto e adormeça de coração quente, estou aqui. Se queres entregar o teu coração a alguém que o agarra como se fosse o dele, sou eu, estou aqui. Se queres confiar em alguém, sabendo que serás sempre a razão de cada gesto, digna de todo o respeito, estou aqui. Sabes onde me encontrar. Não sou mais do que quem te ama, protege, cuida e respeita, sou o homem que vês e não o que imaginas. Sou amor, todo amor, não passo disso. Mas se queres aventuras, sofrimento e traições, se queres ser mais um troféu numa vitrina qualquer, eu não sirvo, desculpa. Sou apenas amor.

Leva tudo


Era o dia mais feliz das nossas vidas. O nosso amor era "baptizado" naquele lugar sagrado. Davam-lhe um apelido e jurávamos a eternidade perante os presentes. Há muito que desejávamos aquele momento. A certeza do sentimento tinha sido garantida pelo tempo e pelo seu crescer constante. Amava-te louca e incondicionalmente. Uma vida pela frente era pouco para provar-te o que sentia. O anel entrou no dedo e arrepiava-me o corpo. Era feito à minha medida, tal como tu. Éramos perfeitos. Eu o louco, tu a bela. E aquele vestido branco tornava-te o meu sonho realizado. Eras minha mulher e o mundo teria de abrir espaço para o nosso amor, tudo o resto devia arredar-se para te deixar passar. Éramos o exemplo de casal, a personificação do verbo amar. Nessa noite não dormimos. Trocámos prazer e sonhámos agarrados, lado a lado. Tínhamos a vida pela frente, mas começámos a planeá-la logo ali, na nossa cama, bem ao nosso jeito. Olhei-te com todo o orgulho que um homem pode ter. O mundo é grande demais para vivê-lo sozinho, mas a sua grandeza torna difícil a tarefa de encontrar a pessoa perfeita. E eu tinha-te, cheia de sonhos, juras e promessas. Eras uma mulher feliz, apaixonada, e isso era tudo o que precisava. Recordo-me do dia em que comprei a nossa casa, aquela que tu desejaste durante meses, que visitaste uma e outra vez mas que já estava vendida... Comprei-a sem saberes. Lembro-me de te levar lá e dizer-te que era nossa. Saltaste, berraste, choraste de emoção e culpaste-me entre beijos por tamanho desespero. "Amo-te", soltavas com toda a convicção. Amo-te, escutava com toda a certeza. Lembro-me de a decorar-mos ao teu jeito, seguindo o teu feeling feminino. Vieram fins de semana em casa, rodeados de jornais e roupas velhas, pintando paredes e imaginando o futuro. Fizemos amor em cima de tinta fresca, fomos amor dentro daquelas quatro paredes. Como posso esquecer o momento em que entrámos naquela divisão pequena e acolhedora, olhámos para as paredes e senti o teu aproximar. Meteste-me as mãos pelas costas e agarraste-me enquanto olhávamos a parede por pintar. "Aqui será o quarto do nosso filho". Não sabia o que te responder, apenas imaginei carros pelo chão, bolas de futebol em cima da cama e a playstation ligada. Imaginei os seus desenhos animados predilectos pintados na parede e os meus olhos cintilaram. Abracei-te enquanto descia à terra, na certeza de que tudo seria uma questão de tempo. O meu mundo eras tu - giravas e eu vivia.
Tudo isto me veio à cabeça como o filme da minha vida, enquanto aqui estou, dentro deste edifício, nesta sala envidraçada, segurando uma caneta e com umas quantas folhas à frente, exigindo assinatura. Foco o olhar e regresso à realidade. Olho para o lado e vejo-te através do vidro, de ar frio, olhar distante. Estás rodeada de sujeitos engravatados e sinto-te nervosa. Olhas constantemente para as folhas que tenho à frente. Só elas importam. Desvias-te da rota do meu olhar. Não queres nada mais de mim a não ser uma assinatura. A tua vida passa por esta folha de papel, não há dúvidas. Volto a olhar-te enquanto penso como chegámos aqui. Como fui eu perder-te, como foste capaz de apagar tudo o que escreveste, disseste, sentiste e fizeste sentir? Virámos dois estranhos. Somos desconhecidos numa vida que criámos. És desilusão, és um erro. Respiro fundo, assino e pouso a caneta. Tiro o anel do dedo e pouso-o, também em cima daquelas folhas. Olho-te como quem te fala. Ali tens tudo o que nos juntou, ali está tudo o que nos separa. Leva tudo, vai embora. Pena não poderes levar as minhas memórias...

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Saudade


Saudade, a palavra que invade o meu corpo e apodera-se de mim. É mesmo isso que eu sinto, tudo o que sinto. Deito-me e lembro-me de ti. A almofada ainda tem o teu cheiro. Acordo e ainda olho instintivamente para o lado. Não estás, não és parte da casa, não estás mais aqui. Os dias custam tanto a passar... o trabalho preenche o dia, a solidão ocupa a noite. Olho para o monte de cd`s que ficaram e aquelas músicas fazem-me estremecer. Esta dançava contigo, agarrados, dois corpos colados em plena fricção. Aquela era a "nossa" música, como todo o casal tem. A que ouvimos e na qual identificamos a nossa vida, a que ficará para sempre como marca de uma dor incurável. Saudade, tudo isto é saudade. Procurar-te a todo o instante, perseguir-te em silêncio, amar-te quando não estás. Saudade é ferida, saudade é cicatriz. Ela fica, consome, apodera-se da alma e enfraquece-nos. Preciso de ti para ser mais forte, preciso de ti para tudo fazer sentido. Acendo o cigarro para me acalmar, para tranquilizar os desejos que me incendeiam. Recordo o nosso cigarro das 23 horas, no terraço cá de casa, vendo a lua, alcançando as estrelas, contando sonhos ao céu. Mas que saudade...
Onde estava com a cabeça quando te disse que não queria mais? Quando te pedi para saíres de casa porque não te amava? Fui adolescente a tomar decisões e, pior do que tudo, continuo a amar-te como um adolescente. O meu coração é todo teu e resolvi arrancá-lo das tuas mãos. Tenho saudades do que risquei da minha vida. A única coisa que fez sentido, a única coisa que podia deixar saudade. Quero-te, desejo-te, amo-te. Pertenço-te. Perdoa-me esta noite, volta para mim amanhã. Não me faças morrer de saudade.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Só te peço a eternidade.

Faço a mala e preparo-me para uma nova viagem, um novo lugar. Parto à descoberta de quem nunca tive e de um lugar que nunca foi meu. Tenho viagem marcada e na mala ponho o coração. Este sou eu, louco por me entregar, com uma vontade desmedida de ser feliz. O lugar escolhido é o teu peito, o teu corpo, a tua vida. Parto com o bilhete só de ida, fecho a porta ao que ficou para trás e apresso-me para chegar o mais rapidamente possível. Sei que me esperas com a mesma impaciência com que te procuro. O tempo corre contra nós e nada mais traz a não ser desespero. O meu destino és tu, a fotografia de um sonho que espero viver. Sei que me receberás de braços abertos, acolhendo-me em ti com a maior satisfação. Sei que pegarás no meu coração e o guardarás ao pé do teu, com todos os cuidados que ele merece, com todo o amor que suplica. Não vejo a hora de chegar e abraçar, de te sentir e dizer-te que estou em casa. Não vejo a hora de sentir o teu cheiro e soltarmos as feromonas que nos atraem. Quero partilhar os lençóis que nos enrolam e o suor que nos denuncia. Mas calma, estou a caminho e tenho uma vida pela frente para te aproveitar. O tempo de sofrimento ficou para trás e agora o mapa do caminho é repleto de sonhos e conquistas. Estou a chegar, amor. Abre-me a porta quando aí estiver. O teu peito é o meu lugar e nele espero ficar. Só te peço a eternidade.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Não há impossíveis

Não te deixes vencer pelo impossível. Não existe tal palavra quando se trata de amor. Não nos faças menos do que realmente somos. Amo-te, com toda a dimensão que representas para mim. Lembras-te de quando cruzaste os braços na adversidade e esperaste pelo nosso fim? Eu lutei, demonstrei que juntos éramos muitos e minimizámos os problemas. Lembras-te quando choraste e me beijaste em tom de despedida? Porque a distância afastava e a solidão traía? Eu pedi-te uma chance e cumpri, todos os dias, sem certezas e com todos os medos. "Juntos" encurtámos a distância e quebrámos barreiras. Juntos exemplificámos o amor. 
O possível é feito de receios, sentimentos e coragem. A coragem leva medo, a coragem exige amor. O impossível vira possível quando o enfrentas, quando o assustas e derrubas. Amo-te, és o rosto do meu futuro, o ombro do meu presente e a história do meu passado. Quando me chamas eu vou e tudo o resto fica para trás. Acredita quando digo que te amo, acredita em nós. Luta, faz-nos mais fortes, como realmente somos.
Um dia farei de ti a mulher mais feliz do mundo. Não te rias, não há impossíveis...
  

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Contigo eu existo, longe de tudo, tão perto de ti

Contigo eu existo, longe de tudo, tão perto de ti. Não sei dizer o porquê de me sentir tão estranho e tão bem. Não sei o que existe entre nós dois, mas que se sente, lá isso sente-se. A tua leveza preenche-me o peito, não deixando espaço para nada mais além de ti. Quando te meto a mão sobre o ombro, por trás das costas, sinto-me teu, lado a lado, caminhando na mesma estrada, fitando o mesmo horizonte. Os meus passos sincronizam-se com os teus, o teu pé esquerdo é o meu direito, o teu direito o meu pé esquerdo. Somos duas metades encaixadas numa alma. O destino vira presente. Quando falas, tudo é diferente, oiço-te com o coração e ele armazena cada palavra. O meu corpo, dormente, fervilha quando chegas, explodindo todos os meus sentidos quando me vives. À nossa volta, ao nosso passar, tudo perde cor. És cintilante como as estrelas, és luz imensa, como um raio de sol. O que somos? Não sei, não consigo explicar. O que sou contigo? Sou eu, como há muito não sentia, talvez como nunca fui. 
E tudo é diferente quando encaixa, quando completa e satisfaz. O que é isto que sentimos? Não sei, talvez possa ser amor.

A vida, a maior prova de esforço que terás.

A vida é a maior prova de esforço que terás. A passadeira não pára e terás de te ajustar para acompanhar o seu ritmo. Podes pensar que a acompanhas com um passo curto mas nessa altura apenas estarás a um passo de bateres com o nariz no chão. Não desvalorizes a vida, não te aches dono da razão. A vida é uma escola e tu um mero aprendiz. Por outro lado, não te menosprezes, não penses que não és capaz. Se não fosses dono e senhor do teu caminho, não o pisarias, não enfrentarias todas as etapas dolorosas que tens pela frente. A vitória vem no fim e será merecida, cabe a ti acreditar nesse momento, só assim poderás vivê-lo. O caminho é sinuoso, digno de um verdadeiro atleta, de coração forte. Só um coração forte consegue voltar a bater depois de uma queda, voltar a aguentar o mesmo percurso de novo, aumentando a distância que o separa da meta, mas voltando a acreditar que é capaz. No fundo, a alma dita o bater do coração. Por trás de um coração forte existe sempre uma alma sã, que nos faz ser maiores do que realmente somos, que nos faz acreditar em tudo e tudo nos dá. O coração é a ponte entre o nosso corpo e a alma. A alma dita o caminho, o coração encarrega-se de nos dar o combustível necessário para lá chegar. Pensa em ti, em todo o sacrifício que depositaste para aqui chegares, em todas as gotas que escorreram por esse rosto, ora da chuva que enfrentaste, ora as lágrimas que choraste, ou todo o suor que despendeste para triunfar. Se não fosse para alcançar a felicidade, não estarias aqui, a pisar continuamente este chão, passo a passo, metro a metro, cada vez mais perto de um fim ignorado pela busca da felicidade. Todos nós queremos a vida feliz, em que o coração  descansa no peito de outro alguém, em que o peso da solidão sai de cima dos nossos ombros e as pernas deixam de suster todos os erros de uma caminhada. A meta é o rosto de uma mulher, a maior vitória, a maior medalha. Esse rosto vale ouro e será o marco de uma vida.
A glória chegará no fim, com a morte. Saberemos quando o coração fraquejar, quando o nosso rosto não passar de rugas e o nosso olhar perder vivacidade. Aí podemos desistir, donos da maior vitória de todas, viver. Com a maior certeza do mundo: para viver é preciso amar e para amar é preciso o coração forte de uma mulher.

domingo, 8 de junho de 2014

Em segredo

Recordo com nostalgia o dia em que os meus olhos te encontraram no meu caminho. Olhaste-me e riste-te, falámos num olhar - o nosso pequeno segredo. A tua beleza atordoou-me e ocultei o que sentia, com o intuito de me proteger. Escondi a tua beleza de todo o mundo, reservando-a para mim. Desejei-te em segredo, louco de vontade de correr para os teus beijos, de revirar o mundo para te tornar minha. Guardei tudo isto cá dentro, o meu grande segredo. Caíste-me aos pés, pelo meio de um tropeção da vida. Embrulhei-me em ti e fomos prazer, em segredo. Lembro com saudade todas as vezes que amámos sem falar, que fomos o que éramos, amor, em segredo. O tempo passou e veio o querer mais, o desejar gritar ao mundo o que o coração transbordava - amor - e deixar para trás o sussurrar ao ouvido. Chegou o dia do mundo nos conhecer, enchi os pulmões e joguei o meu peito aos 7 mares, berrei o teu nome aos 4 ventos. A promessa era concreta: sermos um. A promessa falhou, não passámos de nada.
O tempo permitiu que o coração disparasse o teu nome e o mundo assistiu à queda do nosso império, em segredo. Fomos aniquilados pela rotina da aceitação, dissolvidos pelo dia-a-dia da monotonia. Deixámos de ser mistério que alimentava a chama, deixámos de ter a intimidade do grande amor. Assistimos ao nosso fim, mudos, perdidos no caminho que erradamente traçámos. Vimos o nosso fim revelado em simples olhares, os mesmos que outrora nos juntaram. Hoje, olho para trás e procuro-te, na esperança de remediar o presente. Não sei onde nos perdemos, não sei o que o mundo nos fez, mas sucumbimos na ânsia de sermos felizes, iguais a todos os outros.

Aqui permaneço, senhor de todas as dúvidas, em segredo.

O teu melhor basta-me

Dá o teu melhor. O teu melhor basta-me. Não quero exigir-te a perfeição, gosto demasiado de ti para perder tempo a procurar o que não és. Deixa para lá essa busca impossível. Apenas quero que te entregues ao máximo, que te coloques em tudo o que faças. Quero-te na totalidade, quero ser dono dos teus beijos e razão de todos os sorrisos. Peço-te apenas que acordes todos os dias com vontade de me amar e que te deites a cada noite consumida pela chama do nosso amor. És mulher quente e quero que me faças arder na tua fogueira, derretido em desejos. Entrega-te ao máximo, dá-te na totalidade. Não quero o impossível, a possibilidade de te ter ao meu lado preenche-me. Ama-me, com todos os defeitos que tenho, aceita-me com todas as minhas imperfeições. Olha-me e vê-me, despido de medos e preconceitos. Mete a alma em tudo o que faças, o meu corpo compreenderá.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Entre o azar e a sorte, entre o dia triste e a felicidade.

Ela não queria um homem de músculos, sim de sorrisos. A sua maior procura era a felicidade e essa não precisava de grande volume para ser agarrada, apenas um enorme sorriso para ser vivida. Ele, por seu lado, não sabia fazer nada mais do que sorrir, levantar todo o peso de uma vida com a sua expressão facial preferida. Ela queria amar, ele não sabia viver sem amor. Amava o que fazia, o que dizia e entregava-se loucamente a quem o entendia. Eles eram dois sonhadores num mundo triste, distantes como dois cantos de um sorriso. O destino tem destas coisas, aqueles dois eram tão parecidos que se mantinham afastados por o serem. 
Um dia, numa hora chuvosa, descontrolada por ter o mundo a cair-lhe em cima, ela perde o controlo do seu carro e bate num outro que circulava correctamente na mesma estrada. Furiosa, inundada em lágrimas e nervosa pelos azares que a vida lhe dava, saiu do carro cabisbaixa. A sua vontade de sorrir estava escondida pelas nuvens cinzentas que a perseguiam. O nevoeiro da sua vida não a deixava chegar ao seu destino, mas a estrada só podia ser aquela... Por sua vez, ele sai do carro, preocupado em saber se tudo estava bem, se alguém se tinha magoado ou haviam estragos a registar. Tinha sido colhido pelo azar, ele que tudo fazia para ter sorte! Os dois encontraram-se a meio caminho e os seus corações bateram em simultâneo, como se de um acidente se tratasse. Ela limpou as lágrimas disfarçadamente. Ele sorriu descaradamente. Ela pediu desculpa pelo acidente e ele agradeceu sorrindo.
A vida juntou-os a meio caminho, entre o azar e a sorte, entre o dia triste e a felicidade.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Perco-me

Adeus. Despeço-me de ti e da vida que conheço. Quero sair, libertar-me das amarras que me prendem e da inércia que me sufoca. O mundo é grande demais para vivê-lo em esforço, a vida é curta demais para deixar tudo para amanhã. Sinto a efemeridade dos dias mas vivo de amor, e quem ama é eterno. Vou pegar no coração, metê-lo às costas e amar em parte incerta. Vou dar a conhecer o que sou e aprender algo com outros corações. O mundo é pequeno demais para viver com o que sinto, o peito de um homem é grande demais para viver apenas um amor. A rua do mundo acolhe-me, a cama de outra mulher conquista-me. Deixei para trás a casa, o lar, a monotonia e a solidão. Perco-me na rua, no movimento, noutros braços, em lençóis de seda e perfume de ilusão.
Sou homem livre, de escolhas sem fim. Sou dono da incerteza que me assusta, de toda a vida que trago em mim. Perco-me em aventuras,  na esperança de me encontrar num (outro) imperfeito coração.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Ele voou, ela andou. Ela seguiu, ele caiu

- O segredo é não olhares para trás. Achas que consegues?
- Vou tentar. Prometo que vou tentar.
- Não prometas que vais tentar. Diz-me que o vais fazer. Caso contrário, esquece...
- Ok, não vás. Eu prometo que o vou fazer.
- Assim tudo bem. Dá-me a mão e vê o nosso caminho. Não haverá curvas que nos parem.
- Calma, uma curva de cada vez, se faz favor. Pés bem assentes no chão...

Ele queria conquistar o mundo, levá-la pelo braço e fazê-la voar. Ela apenas queria alguém que lhe fizesse dar passos firmes, um de cada vez, devagar, sem pressas e de preferência sem curvas. Ele entregou-se de cabeça e voou, ela tinha medo e ficou. No fundo, um era céu, outro chão, um receoso o outro sonhador. O contraste dos dois era cada vez mais notório: ele voava livremente, sozinho. Ela ficava, propositadamente, sozinha. O caminho deixou de ser igual e as curvas apenas existiam para quem voava. Em Terra, a rota mudava e a distância aumentava. Estavam longe e destinados a não mais se tocarem. Seguiram o caminho da vida e quem caiu foi quem voou.

- Porque não resultou? Porque não sonhaste e acreditaste?
- Porque sou de dar passos curtos. Não de grandes voos.
- Se não tirares os pés do chão não voarás. E se não voares não amas.
- Cortaram-me as asas, um dia. O meu sítio é o chão.
- Eu não quero acabar como esse chão que pisas. Mereço ser feliz.

Ele lambeu as feridas da queda e resolveu começar a reconstruir as suas asas. Bastava encontrar a força de vontade que o fizesse regenerar. A vontade de ser feliz chegava-lhe para tirar os pés do chão. Ela era ferida passada e aberta, anestesiada pela vontade de desistir, pelo desejo de ficar. Ela era o chão que pisava e não passava disso. Ele tentou voar, ela seguiu em frente.
É bem mais fácil caminhar sobre o chão do que voar de novo. Mas não se compara a audácia de um com a cobardia do outro.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Bastou um olhar

Sempre fui de amores eternos, de histórias de "era uma vez" e de finais felizes. Todo o filme que não acabasse como o amor exigia, ficava aquém, dava um gosto amargo e a barriga ficava com fome de história, fome de perfeição. Para mim o amor sempre foi sinónimo de completude, daí a sua definição tão especial e a sua aplicação pouco comum. O amor é o sentimento, o tempo, a divergência e a união. O que a vida nos dá para cuidar, com todas as responsabilidades e satisfações. Pensei tudo isto até te ver. Parece ridiculamente banal reconduzir tudo a nós, eu sei, a estúpida sensação de grandeza, a infantil sensação de ser especial. Todavia, nunca me esquecerei da primeira vez que te vi, em plena hora de ponta, num metro lotado e depois de uma correria sem fim. 
Lembro-me de te bater no ombro enquanto corria em busca de um mísero lugar. Mal eu sabia que também entrarias, com o teu amigo, na mesma carruagem que eu. O espaço era tão reduzido que mal nos mexíamos. De ficar tão próximo de ti senti o cheiro do teu cabelo. Era a camomila, aquele aroma de frescura, de Primavera-Verão. Olhei-te sempre que pude e que não pude, percebeste quando os nossos olhares se cruzaram e me denunciei. Não consegui descolar do teu rosto. És bonita como muitas outras, mas tens algo de especial. Deixa-me acreditar que a tua beleza é única e diferente. Isto faz parte do amor e nunca mudarei uma vírgula que seja. És linda, um rosto diferente de todas as mulheres que conheço, um rosto superior ao de todas as mulheres que possa vir a conhecer. Lembro-me de mal me ligares, de te fazeres indiferente, meramente atenta ao meu olhar. À saída, deste-me um ligeiro encontrão - uma perfeita paga - e um sorriso fulminante. Não fiz nada mais do que devolver-te o sorriso. Olhaste-me até me perderes de vista e a nossa química incendiava a carruagem. As portas fecharam-se, seguimos caminhos diferentes e tínhamos um mundo a separar-nos. Mas o mundo é pequeno e dá muitas voltas, talvez não passe do chão que pisamos e das pessoas em quem chocamos. Dias mais tarde, fruto do acaso ou da ocasião, voltei a ver-te naquele metro, a hora diversa. Ias sozinha e menos sorridente... até me veres. Eras o mais bonito rosto que alguma vez vi, és a mulher mais bonita que alguma vez me sorriu. Não tive coragem e as pernas tremeram. O metro parou e tu saíste. Perdi-te.
Todos os dias entro naquela carruagem com o desejo de me esbarrar em ti, de te agarrar nos meus braços e ver o teu sorriso. Sonho em provar os teus lábios, em conseguires ouvir o amo-te que tantas vezes já disse, em vão. Contigo foi amor à primeira vista, diferente de tudo o resto. No fundo, és diferente, és mulher que desejo e não tenho. És sorriso de outro homem qualquer.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Nada dizes, tudo sentes. Nada digo, em ti me perco

Deitas-te na minha cama, nua, como nunca te vi, mas sempre o desejei. Dirijo-me movido a inseguranças, a trémulas manifestações de vontade alimentadas por todo o desejo que as hormonas libertam. Olhas-me como se me pedisses para ir, olho-te como quem pergunta o caminho. Não percebo o porquê de tamanho embaraço, mas o teu corpo é um território onde me perco e do qual não tenho mapa. Sinto o teu medo, manifestas quando inspiras. Faço-te expirar lentamente, ao som de ténues gemidos, fruto de sentidos despertos. As tuas mãos apertam os meus braços, sentes o prazer que te dou e retiro o máximo que me podes dar. O silêncio é a mais perfeita aceitação do momento. Nada dizes, tudo sentes. Nada digo, em ti me perco. Aos poucos és cada vez mais minha, aos poucos vou te conhecendo melhor. Sei que és diferente, não queres o prazer, queres o momento. O prazer é muito mais que um fugaz orgasmo. O prazer é o orgasmo, o espaço, o parceiro e toda a simbiose de corpos, movimentos e emoções. És mais do que o corpo que eu conquisto, és a alma que lentamente vou tocando. Eu sou teu, dos pés à cabeça, de corpo e alma. Ganhas-me a cada movimento, a cada centímetro. Apoderas-te de mim a cada beijo. Beijar-te é fundamental, a prova de que és mais do que aquele corpo e, por muito que me dês, gostarei sempre do mínimo que me possas dar. Um beijo é muito mais do que um beijo, um corpo é muito mais do que um corpo. Somos almas em movimento, somos corpos em ebulição. Assim se faz amor, sem palavras, mera acção.

És mulher para uma vida, nunca de metades.

Não és mulher de meias palavras, talvez seja isso o que nos mantém unidos. Adoro o teu jeito peculiar, em que chegas e és aquilo que sempre foste, tu própria. Gosto do jeito como me beijas, carregando toda a saudade do mundo num movimentar de lábios. Como se o peso do teu beijo fosse tal que o sentisse na minha boca e o retribuísse num olhar. És mulher de carácter, que arregaça as mangas perante um desafio, que olha nos olhos dos problemas e predispõe-se a enfrentá-los. És mulher de vencer, e para vencer não chega ganhar meias partes. Mas a maior coragem que tu revelas é amar-me. Eu sou um turbilhão de emoções, sou um vendaval de problemas e um indecifrável cubo de Rubik. Todos os dias me olhas e sorris, beijas-me e dizes que me amas, independentemente da minha face e da "cor" que apresento. Quando fica difícil completares-me, arranjas maneira de chegar lá, de rodares-me todas as vezes que forem precisas até ser de uma só cor: vermelho, de pura paixão. Vermelho, de completo amor.
Não és mulher de meias palavras, se não gostas não tens, se não queres não vais e se não te apetece não fazes. E todos os dias eu oiço um amo-te. Um amo-te na sua totalidade, do "a" ao "e", sem pausas ou ífanes. Não és mulher de metades, se queres um coração, teu será, no seu todo, mesmo que se esconda. Se queres amor, amor terás, por inteiro, proporcionalmente ao que entregas.

És mulher para uma vida, nunca para metades.