sexta-feira, 6 de junho de 2014

Entre o azar e a sorte, entre o dia triste e a felicidade.

Ela não queria um homem de músculos, sim de sorrisos. A sua maior procura era a felicidade e essa não precisava de grande volume para ser agarrada, apenas um enorme sorriso para ser vivida. Ele, por seu lado, não sabia fazer nada mais do que sorrir, levantar todo o peso de uma vida com a sua expressão facial preferida. Ela queria amar, ele não sabia viver sem amor. Amava o que fazia, o que dizia e entregava-se loucamente a quem o entendia. Eles eram dois sonhadores num mundo triste, distantes como dois cantos de um sorriso. O destino tem destas coisas, aqueles dois eram tão parecidos que se mantinham afastados por o serem. 
Um dia, numa hora chuvosa, descontrolada por ter o mundo a cair-lhe em cima, ela perde o controlo do seu carro e bate num outro que circulava correctamente na mesma estrada. Furiosa, inundada em lágrimas e nervosa pelos azares que a vida lhe dava, saiu do carro cabisbaixa. A sua vontade de sorrir estava escondida pelas nuvens cinzentas que a perseguiam. O nevoeiro da sua vida não a deixava chegar ao seu destino, mas a estrada só podia ser aquela... Por sua vez, ele sai do carro, preocupado em saber se tudo estava bem, se alguém se tinha magoado ou haviam estragos a registar. Tinha sido colhido pelo azar, ele que tudo fazia para ter sorte! Os dois encontraram-se a meio caminho e os seus corações bateram em simultâneo, como se de um acidente se tratasse. Ela limpou as lágrimas disfarçadamente. Ele sorriu descaradamente. Ela pediu desculpa pelo acidente e ele agradeceu sorrindo.
A vida juntou-os a meio caminho, entre o azar e a sorte, entre o dia triste e a felicidade.

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