segunda-feira, 2 de junho de 2014

Nada dizes, tudo sentes. Nada digo, em ti me perco

Deitas-te na minha cama, nua, como nunca te vi, mas sempre o desejei. Dirijo-me movido a inseguranças, a trémulas manifestações de vontade alimentadas por todo o desejo que as hormonas libertam. Olhas-me como se me pedisses para ir, olho-te como quem pergunta o caminho. Não percebo o porquê de tamanho embaraço, mas o teu corpo é um território onde me perco e do qual não tenho mapa. Sinto o teu medo, manifestas quando inspiras. Faço-te expirar lentamente, ao som de ténues gemidos, fruto de sentidos despertos. As tuas mãos apertam os meus braços, sentes o prazer que te dou e retiro o máximo que me podes dar. O silêncio é a mais perfeita aceitação do momento. Nada dizes, tudo sentes. Nada digo, em ti me perco. Aos poucos és cada vez mais minha, aos poucos vou te conhecendo melhor. Sei que és diferente, não queres o prazer, queres o momento. O prazer é muito mais que um fugaz orgasmo. O prazer é o orgasmo, o espaço, o parceiro e toda a simbiose de corpos, movimentos e emoções. És mais do que o corpo que eu conquisto, és a alma que lentamente vou tocando. Eu sou teu, dos pés à cabeça, de corpo e alma. Ganhas-me a cada movimento, a cada centímetro. Apoderas-te de mim a cada beijo. Beijar-te é fundamental, a prova de que és mais do que aquele corpo e, por muito que me dês, gostarei sempre do mínimo que me possas dar. Um beijo é muito mais do que um beijo, um corpo é muito mais do que um corpo. Somos almas em movimento, somos corpos em ebulição. Assim se faz amor, sem palavras, mera acção.

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