sexta-feira, 13 de junho de 2014

Saudade


Saudade, a palavra que invade o meu corpo e apodera-se de mim. É mesmo isso que eu sinto, tudo o que sinto. Deito-me e lembro-me de ti. A almofada ainda tem o teu cheiro. Acordo e ainda olho instintivamente para o lado. Não estás, não és parte da casa, não estás mais aqui. Os dias custam tanto a passar... o trabalho preenche o dia, a solidão ocupa a noite. Olho para o monte de cd`s que ficaram e aquelas músicas fazem-me estremecer. Esta dançava contigo, agarrados, dois corpos colados em plena fricção. Aquela era a "nossa" música, como todo o casal tem. A que ouvimos e na qual identificamos a nossa vida, a que ficará para sempre como marca de uma dor incurável. Saudade, tudo isto é saudade. Procurar-te a todo o instante, perseguir-te em silêncio, amar-te quando não estás. Saudade é ferida, saudade é cicatriz. Ela fica, consome, apodera-se da alma e enfraquece-nos. Preciso de ti para ser mais forte, preciso de ti para tudo fazer sentido. Acendo o cigarro para me acalmar, para tranquilizar os desejos que me incendeiam. Recordo o nosso cigarro das 23 horas, no terraço cá de casa, vendo a lua, alcançando as estrelas, contando sonhos ao céu. Mas que saudade...
Onde estava com a cabeça quando te disse que não queria mais? Quando te pedi para saíres de casa porque não te amava? Fui adolescente a tomar decisões e, pior do que tudo, continuo a amar-te como um adolescente. O meu coração é todo teu e resolvi arrancá-lo das tuas mãos. Tenho saudades do que risquei da minha vida. A única coisa que fez sentido, a única coisa que podia deixar saudade. Quero-te, desejo-te, amo-te. Pertenço-te. Perdoa-me esta noite, volta para mim amanhã. Não me faças morrer de saudade.

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