terça-feira, 15 de julho de 2014

- Acreditas no destino? Nos milagres da vida que nos fazem duvidar de que somos nós os donos do nosso caminho?
- Não. Hoje não. Não acredito em nada mais do que aquilo que vejo ou toco.
- Como és capaz de dizer uma coisa dessas? Sentes isso?
- Já nem no que sinto acredito. Hoje não acredito em nada nem em ninguém.
- Como assim? Há tanta vida lá fora...
- Mas não há nada cá dentro. E o vazio que sinto engole tudo o que me podem dar.
- Tu não eras assim...
- Se o tivesse sido, talvez agora não estivesse assim.
- Qual é o teu problema?
- Não ter solução.
- És um quebra-cabeças...
- Deveria ter sido um quebra-corações.
- Desisto, hoje não és boa companhia.
- Volta amanhã e talvez consiga ser tudo aquilo que queres.

Ela amava-o por todo o mistério em que ele se envolvia. Adorava isso nele, o suspense de cada novo dia e a imprevisibilidade de cada acto. O pior de tudo era não saber de nada disso, nem tampouco se preocupar em perceber o que revelava. Naquele momento representava muito e pouco, tudo e nada, uma mão cheia de areia que lhe escapava por entre os dedos. Mas ela só tinha de ser forte e paciente, apenas teria de estar lá quando as nuvens negras passassem e o sol voltasse. Ele valeria o esforço, e ninguém ficará incompleto a vida inteira quando somos feitos de lados. O esquerdo ou o direito, o de dentro ou o de fora, o certo ou o errado, não interessa, ela apenas sentia que lhe pertencia e que o completaria, desde que no fim fosse (a)o seu lado. E ela ficava porque acreditava nele, ainda que ele não sentisse nem acreditasse.

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