terça-feira, 29 de julho de 2014

O amor tem de ser imperfeito

Podia escrever-te para perguntar como estás, quem és, o que és e no que te tornaste. Amei-te, vivi-te, respirei-te e julguei conhecer-te como ninguém. Penso que nem tu própria te conhecias. Hoje és uma estranha com quem tive o privilégio de partilhar a vida, um mundo que passa por mim como um planeta distante. Quem sou? Continuo a ser teu satélite, continuo a girar em torno de ti. Não te tenho mas as lembranças tornam-te presente, reflectem o teu rosto e o teu jeito de ser. O que nos aconteceu? Talvez tenhamos olhado para direcções opostas e, quando tentámos corrigir, não nos conhecemos. O que vivemos? Amor, do mais perfeito que podemos experimentar. Mas um amor, para ser amor, tem de ser imperfeito, tem de ter espaços por preencher, lacunas que nos fazem querer lutar por mais e melhor. Quando chegámos, ficámos, e o amor não foi feito para chegar, muito menos para ficar. Amor é incerteza, amar é correr atrás. Na nossa estúpida perfeição perdemos o amor, os laços e pior que tudo, não devolvemos nada um ao outro. Largámos os restos ao vento, na esperança de cada um recolher os seus destroços. E um amor assim desfaz-se em mil pedaços, fragmenta-se em estilhaços tão letais que cravam a pele e chegam aos ossos. Ainda hoje te sinto em cada músculo, ainda me fazes levantar e viver, tu, que me prendeste movimentos, que mutilaste o meu peito.
Escrevo porque te recordei, porque senti vontade de dizer que te amei e que te guardo. Pena o amor não ser eterno, a sua maior imperfeição...

2 comentários:

  1. "....ainda me fazes levantar e viver, tu, que me prendeste movimentos, que mutilaste o meu peito." Boa noite Tiago Carvalho.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Boa noite, Maria!
      Muito obrigado pela leitura e comentário.
      Sinta-se em casa.

      Eliminar