terça-feira, 5 de agosto de 2014

A cor do meu destino

Ela aproximava-se de andar ritmado como quem desfila segura de cada passo, ao som de flashes disparados que me encandeavam. A rua encolheu e estreitou, o chão de mil anos virou passadeira vermelha, cor do meu rosto e da minha apatia. O vestido justo, os sapatos altos e a pequena carteira embelezavam ainda mais aquele corpo perfeito. Os seus cabelos dançavam ao vento, embalados pelo tlintar dos seus brincos, ao mesmo ritmo do seu andar. As suas ancas moviam-se como quem seduz. Era perfeita e ainda não tinha chegado. Aproximou-se e vi o seu sorriso simétrico de batom vermelho, a mesma cor do meu coração. Perfeito. Sorri à minha maneira misturando embaraço com vergonha, amor com deslumbramento. Para dentro perguntei se tu eras o meu jackpot. Olhei-te e a resposta era óbvia: o prémio de uma vida, a minha sorte grande. Aproximaste-te com um sorriso cada vez maior, semicerraste o olhar como quem seduz - mas seduzir não é para ti - como quem conquista. Beijaste-me a face e juro que a alma corou. O meu canto do lábio sentiu os teus. Que beijar perfeito, que desejo de provar esse sorriso. Caminhámos lado a lado, entre conversas e olhares, desejos e timidez. A medo dei-te a mão. Sem qualquer receio soubeste receber o meu toque e rapidamente escrevemos um "nós". Este foi o nosso primeiro momento, colorido a vermelho, a cor do meu destino.

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