segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Semana após semana

E se no domingo a bola entra
a festa é rija e o povo dança,
esquece-se a agonia que vem na segunda
porque ao domingo é só lembrança...

Mas a segunda veio e a vida volta,
ele é um ser desanimado
e usa a velha gravata solta
num pescoço apertado

E a quinta traz aquela esperança
perdida na terça, que a quarta duvidou,
só na sexta a alma descansa,
amanhã é sábado e... já passou...

Então vem o domingo e a bola não entra,
na segunda ele não existe,
na terça encara e tenta
mas ainda é quarta, então desiste.

E se ao menos quinta já fosse sexta,
se a seguir ao domingo não fosse segunda...
perdido em mais uma hora extra,
leva um valente pontapé na bunda.

E se hoje não fosse segunda...

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Jurei não voltar a pôr as peças no tabuleiro da vida. Pelo menos da mesma maneira que joguei. Prometi ser cauteloso, sem grandes avanços, somente ligeiros recuos. Pensei que se me quisessem teriam de atacar, vir com tudo, sem medo de perder o que ainda não tinham ganho. Eu já não pensava em ganhar, apenas não voltar a perder. E para perder basta um instante, enquanto que ganhar é uma contínua luta sem fim.
Então chegaste, sem demonstrar os medos que qualquer um sente. Sem te afectares pelos nervos que te consomem. Jogaste sem medos, de forma directa e eficaz. Percebi com clareza o intuito de cada jogada - a tua simplicidade tem essa vantagem. Quando dei por mim, estava a avançar, também sem medos, sem pensar no desfasamento existente entre o que fazia e o que tinha planeado. Estava destinado a encontrar-te a meio, um 50-50, equilíbrio perfeito. Então joguei como já tinha jogado, com o coração e uma louca vontade de (te) ganhar.

Quando jogares, almeja a vitória, pois ninguém gosta de perder.

E se não pensares assim, não venhas, não metas as peças no tabuleiro da minha vida.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Sentidos.

Quero-te. E quem te chama não sou eu, quem fala é o corpo que me move na ânsia de te encontrar. Desejo-te. A minha pele arrepia-se quando penso em ti, quando imagino o teu toque, o teu beijo, a tua voz. Oiço-te, de manhã à noite, mesmo quando tudo aparenta ser silêncio. Adoro a tua voz e o jeito de dizeres o meu nome, tudo mais é ruído. E quando fecho os olhos, mergulhado nesse desejo louco de te ter, sinto o teu sabor, de cada bocado teu, de cada pedaço que faço meu. Agora que a almofada já não tem o teu cheiro, sinto a falta que me fazes. Tu estás cada vez mais longe, mas o coração, esse, nunca arrefeceu.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Hoje escrevo porque estou feliz:

sinto a chuva, o frio e o cinzento
vejo o triste dia bater-me à porta,
é a saudade, a dor e o lamento.

Então deixo entrar as memórias que me restam
dar-me a conhecer do jeito que sou,
guardo apenas as que não prestam,
as boas já as vivi e o vento levou.

E sinto-me feliz hoje, não sei se sabem,

porque cheira a mágoa, solidão e chora o céu
sinto saudade do que não tenho,
imagino aquela mulher, as juras e um véu...

E o sofrimento de um amor despedaçado
é representado em noites e temporais
eu escrevo feliz e despreocupado,
gosto de sofrimento, chuva, dor e nunca mais...

Hoje escrevo dono da felicidade, 
o meu choro inundou a rua.
Mas que prazer me deu chorá-lo
porque essa rua também é a tua.


domingo, 12 de outubro de 2014

Como dói viver

O tempo ajudou-a a crescer, mas sempre tinha ficado aquela espinha na garganta... Foi numa comum e preguiçosa manhã de segunda-feira que Liliana se deparou com Miguel, no mesmo espaço, no mesmo campo de visão, tanto tempo depois. E tanto tinha ficado por dizer...

Ela encarou-o sem falar. Naquele preciso momento a mesa virou pequena demais para tanto rancor. Ele espetou as costas no apoio da cadeira, não podia recuar mais. Ela meteu as duas palmas das mãos na mesa - em jeito firme. O seu olhar era o mesmo de sempre, fulminante. 
- Porque me fizeste isto, Miguel? Porque desististe de mim depois de tanto esforço para me ganhares? Porque me levantaste da lama para, de seguida, me esfregares a cara na mesma poça de lixo em que rastejava? - as suas pupilas dilataram e o esforço para não verter qualquer lágrima era imenso. O discurso metia pena mas o seu rosto não. Miguel sentiu medo daquele enfrentar. Afinal, ele estava habituado a largar e desaparecer.
- Calma, Liliana....
- Calma o caraças, Miguel! Cresce, vira homenzinho! Assume a merda que fazes e não te escondas.
- Tens razão, desculpa - dizia Miguel, ligeiramente incomodado. Talvez pedisse perdão apenas para se safar da situação de aperto, para acabar com o embaraço que Liliana criava. Um Café inteiro focava-se naqueles dois e ele era cada vez mais o idiota.
- Não me peças desculpa, não preciso de te perdoar para seguires em frente. Apenas eu precisava de algo para seguir em frente. E esse algo já tive, os teus ouvidos, ainda que moucos. Por muito que queiras, estas palavras não te serão indiferentes. Agora, logo à noite ou noutro dia qualquer, quando a tua vida estiver na merda e sem sentido, lembrar-te-às de todo o sofrimento que deste a quem não mereceu. Logo alguém que sempre deu tudo por ti...
- Sim....
- Sim nada, meu anormal. Não te metas mais comigo e vê a merda que fazes. Um idiota será sempre um idiota.... - e de seguida derramou o café na camisa de Miguel - a camisa que durante tanto tempo ela lavou e passou. Nisto, a cadeira arrastou-se e provocou um barulho irritante e incomodativo.
Quebrado o silêncio, Liliana fez música com os seus saltos altos. Era a sua saída triunfal e, por breves momentos, sentiu-se dona do mundo, do destino, do homem estúpido e anormal que amou e do seu coração. Aquela era a sua pequena vitória, aquele o triste palco da sua vida. Miguel permaneceu imóvel, vendo-a sair pela janela do Café. "Merda, como fui eu perder-te, Liliana? És fogo..."
Liliana virou a esquina e sentou-se no chão que todos os dias pisava. Tirou os sapatos altos e chorou, chorou até perceber que um novo dia traria uma nova vida. "Merda, como dói viver!"

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

(re)começar a viver

Para quem não leu a 1ª parte:   A dor de viver

A vida tinha mudado desde que Miguel saiu de cena. Enquanto mulher moderna, esbelta, senhora do seu nariz e dona dos seus objectivos, Liliana nunca se imaginou na sombra de homem algum. Mas a vida tinha perdido cor desde que ele ficou para trás. O Verão tinha sumido e o Outono trazia dias frios, tristes e chuvosos. E como é frio o sofá agora que ele lá não está, como vira aborrecida aquela série até então viciante e os filmes de domingo à tarde não são mais do que tortura. Uma cama grande é inútil e se não fosse a botija de água quente, os pés seriam da temperatura do seu coração. Dentro das paredes da sua casa, Lili não se privava em demonstrar o que sentia. Chorava sempre que lhe apetecia, quando não queria e quando queria também. Os lenços eram marcas habitacionais um pouco por cada divisão e um gato pequeno e frágil foi a escolha para evitar a solidão. Mas a melhor forma de superar o trauma foi mesmo a pintura, E a sua primeira pintura foi simples, crua, reveladora da realidade que os nossos olhos não vêem: pintou-se nua, frente ao espelho. E quando o tecido caiu ela viu-se como realmente é: branca, de uma tonalidade tão clara que lembra o frio do leste. Os seus seios redondos e volumosos dão simetria a uma silhueta cuidada. O sinal que tem debaixo dum seio não foi esquecido, muito menos a sua cicatriz. Era parte dela, da sua história, do seu passado. E desenhou as suas pernas elegantes cobertas por meias de renda pretas, como vestia - a única parte do seu corpo com roupa.
Após o desenho sentiu-se bonita, mas rapidamente notou a ausência de algo. Pegou na tinta vermelha, ainda fresca, e pincelou o seu peito. Era o sangue que escorria por dentro, que ninguém via mas que a fazia contorcer-se em dor. Era a ferida que não podia esconder ou esquecer. Era o erro que alguém cometeu e o qual só pode "aceitar". Agora sim, sentia-se perfeitamente natural. Se se achava bonita? Sim, no fundo era bonita, com o seu cabelo escuro e olhos pretos, o seu ar moreno e sedutor. Mas sabia que tinha cicatrizes para a vida que lhe mostravam o quão feia e errante foi. E como era possível ter tanto azar com os homens? Ela não sabia escolhê-los e, desiludida, jurava não escolher mais nenhum. Não tinha olho para isso, definitivamente não sabia analisar um homem. Levou o seu retrato para o quarto e pendurou a tela na parede. Queria acordar com a sua imagem. Não tinha melhor maneira de acordar do que saber quem era, o que era e como era. E ela era aquilo, tudo aquilo, sem tirar nem pôr. Tudo o que um homem não merece ter, por não saber cuidar.
Mais tarde seguiram-se as roupas. As aguarelas cederam perante o lápis de carvão e os traços finos. Nasceram fatos, vestidos, calças e tops daquela imaginação. Até vestidos de noiva chegou a desenhar. De cor escura, como o momento que sentia, claro. E no meio da desgraça da vida, descobriu a sua paixão: Desenhar roupa, vestir gente. "Como a vida é engraçada... Temos de perder o que gostamos para descobrir o que amamos". E cada desenho era um raio de luz, uma gota de esperança no mar da vida de Liliana. E foi num brusco pousar de lápis que ela afirmou intempestivamente: "Vou ser designer de moda, esta é a minha paixão!". E correu para a Internet em busca de cursos, especialização, livros e trabalho. Não lhe faltava vontade nem determinação - era mulher de mangas arregaçadas e dentes cerrados - e tudo o que queria era uma oportunidade para mostrar o seu potencial. Depois, com o tempo e a experiência, chegaria a perfeição, a qualidade e o reconhecimento. Caso contrário, viveria um sonho, um devaneio, uma loucura, um mero capricho... Simplesmente viveria conforme bem lhe apetecia. E talvez seja aquele viver desprendido a melhor forma de ser feliz.

sábado, 4 de outubro de 2014

A dor de viver

Liliana saiu mais cedo da loja, naquela tarde. Adorava roupa, vestidos, conjugações arrojadas e moda, mas a experiência de dona de casa mostrava-lhe que havia um lado negro por trás de todos os sonhos: lavar, estender e passar a ferro eram tarefas árduas das quais não podia escapar. Talvez um dia, mais tarde, quando tivesse vida estável, pudesse ter uma empregada. Mas não perdia muito tempo a pensar nisso. Era sexta-feira e o seu namorado de longa data tinha-lhe prometido jantar fora. Em contrapartida, ela levaria a roupa dos dois para lavar, como costume. E como ela gostava de ver as máquinas lavarem e torcerem as suas roupas. O mesmo esforço, o mesmo cheiro, a mesma frescura. Eles eram perfeitos e foram feitos para ficar juntos, duas peças do mesmo cesto. 
Uma vez chegada a casa, preparou-se para ir buscar a roupa suja:
- "Estranho, o cesto tem menos volume. Falta roupa!" - exclamou admirada pela situação. Ela saiu de manhã de casa, depois de Miguel - o seu namorado - e a esta hora ele estará preso ao seu escritório, rodando a sua cadeira e fazendo contas aos clientes, na sua seguradora. Já lhe conhecia a rotina de tantos anos. 
E foi naquela sensação estranha e tão feminina que  Liliana avançou pelo corredor, até ao quarto. Lá dentro, Miguel batia o mais baixo possível com as portas do roupeiro, ensacava roupa e enchia atabalhoadamente as suas malas. Duas malas e tanta pressa não eram sinónimos de coisa boa, muito menos uma tentativa frustrada de silenciar a culpa de tais actos. Ela pensou confrontá-lo ali, naquele momento. Depois, percebendo que passava despercebida, resolveu pegar nas chaves do carro e sair. Esperava-o lá em baixo, como um mero acaso à porta de casa. Talvez ele lhe dissesse que tinha de ir em viagem de negócios, que tinha de ir a casa ver a mãe que estava doente ou que os amigos o convidaram para uma noite de diversão, à qual já estivesse comprometido. Depois, ligaria e confirmava a história. No dia seguinte, voltava e estava ali, naquela casa, apaixonado como sempre esteve. "Os filmes que uma mulher faz", pensava Lili, tentando relaxar. Mas, aquela dor era estranha e doía tanto no peito... Desceu e esperou no carro. Pouco depois ele também desceu - sem gravata e dois botões da camisa desapertados - com uma mala cheia em cada mão e um constante abanar de cabeça. Ora esquerda, ora direita. Temia ver alguém, temia ser visto. Percebendo-o - afinal de contas namoravam há 7 anos, desde os 20 - Lili inclinou-se para trás, no banco do seu carro e seguiu-o com um olhar raso ao tabelier. "O que estaria aquele sacana a planear?" Logo hoje que iriam jantar fora com os pais de ambos.... Logo este fim de semana, em que havia o churrasco em casa do Tio Carlos.... Ele chamou um táxi e entrou. Ela voltou a sentar-se e arrancou. Seguiu-o, até perceber que o aeroporto era o destino. Ele pagou, tirou o casaco, pegou nas malas e caminhou acelerado. Ela, confrontada com a surpresa, vendo o impossível virar realidade, puxou o travão de mão no meio da merenda e ali deixou ficar a sua viatura. "Que se lixe! Resolve isto primeiro, mulher! Não tens tempo a perder". Tirou os sapatos e correu atrás dele, para não o perder de vista. Nas escadas rolantes esperava-o uma mulher elegante, bem vestida, bem parecida. Uma mulher de espanto. Liliana gelou e sentiu o corpo arrefecer a um ritmo tal que pensou não aguentar. O choque térmico ia matá-la, ou seria Miguel com aquela atitude irreflectida e louca? E eis que eles se beijaram. As chaves do carro caíram, o coração caiu, a felicidade ruiu e a vida pareceu desmoronar-se naquele momento. Ele e aquela... O seu Miguel e outra. Aquilo deu-lhe náuseas, ficou doente, a morrer, prestes a perder o gosto pela vida. Queria falar mas falar para quê? Apenas chorou. De repente, enquanto se recompunha das lágrimas salgadas que vertia, gritou com toda a força do seu coração:
- Miguel? Miguel? O que se passa? - A pergunta foi tão profunda que todo o aeroporto ouviu a sua alma.
Ele olhou para trás e... também ele parou. "O que fazes aqui, Liliana? Merda...". Olhou-a com o ar mais penoso do mundo - a descartabilidade é muito mais do que uma palavra.
- Desculpa Liliana, desculpa... - e as escadas rolantes levavam-no para zona interdita, para acesso restrito, para longe dela.
Liliana gritou um "não" sofrido até perdê-lo de vista. Tiravam-lhe o ar dos pulmões, o chão dos pés e o coração do peito. Como é possível viver assim, depois de tudo isto? Chorou até perceber que só podia virar costas e entrar no carro. E foi o que fez. Entrou, sentou-se e chorou. Ligou o rádio e ouviu "To give" dos silence 4. Voltou a chorar a cada palavra. Ouvir música não ajudava, mas sabia bem apertar a ferida... "Que vais fazer à tua vida? Merda para os homens! Uns traidores, uns canalhas! Merda de mundo em que já não se pode confiar em ninguém!".  Limpou as lágrimas apressadas e preparou-se para conduzir. Nisto, viu o bilhete amarelo preso à escova do veículo. "Uma multa! Merda! Só faltava mais isto!" Saiu do carro e tirou o papel. Pontapeou o pára choques e voltou a entrar. Mordeu o lábio de toda a dor que sentiu no pé direito. Mas que se lixe a dor física, ela morria a cada bocadinho daquele dia. 
Uma vez chegada a casa, dirigiu-se a tudo o que era dele e a lembrasse que o canalha alguma vez existiu. Pontapeou, rasgou, cortou, partiu e amassou. Queria matá-lo, se pudesse. Queria esventrá-lo, cosê-lo, voltar a esventrá-lo e deixá-lo ali, ao abandono, agoniado na sua dor. Depois pensava nele - o Miguel, o seu príncipe encantado, o homem que lhe mostrou que a vida era perfeita - e apenas lhe pedia para voltar, para ser o que era e nada mais mudava, nada mais importava.  Naquele momento de fraqueza, Liliana levanta a blusa e passa a mão pela cicatriz que tinha no lado direito da sua barriga. Um dia, um anormal que ela julgou um príncipe encantado, tentou matá-la, esfaqueando-a, tirando-lhe qualquer confiança na vida. Ficou mergulhada em sangue e vergonha. Mais tarde, um rapaz sereno, responsável e encantador, prometeu-lhe nunca a ferir, nunca a marcar. Em troca, tudo o que ela tinha de dar era confiança e acreditar que ele a faria feliz, para sempre! "Idiota, anormal! Um bom Filho da Puta... mais um!". Chorou, soluçou, pensou arrancar cabelos, cortar pulsos e talvez meter fim à vida. Depois ponderou vê-lo uma última vez. Nisto, passou a mão por baixo da camisola, até ao coração. Sentiu a ferida que hoje ele lhe fez, a maior facada que alguma vez levou. Decidiu não ser fraca, afinal de contas, para fraco já bastava ele - e os dois não poderiam acabar assim. Ela era forte e lutadora. merecedora de um lugar no mundo cão em que vivemos. "Luta miúda, estás na lama outra vez, mas agora não precisas de ninguém para te ergueres. Chega de merda! Cara lavada!". Queimou-lhe as fotos e telefonou aos pais. Foi menina protegida durante o fim de semana e a dor de viver foi transformada em determinação. "Uma mulher não desiste, conquista". E a coragem nascia a cada novo dia, escondendo a desilusão.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

E tu vais vivendo,
vencendo,
lutando,
caindo,
procurando e conseguindo.

Depois vais-te apercebendo
que o mundo é grande e tu pequeno,
que o sol nasce e vai descendo
e que o tempo passa e vais perdendo
o tempo que já passou.

Então pensas se vale a pena o sacrifício,
a luta, a batalha e a guerra,
o sangue, a perda e a raiva
que depositas no teu viver.

No fim, percebes que tudo muda,
tudo vai e tudo cura,
o tempo ajuda a viver e a esquecer.

Mas o tempo foi-se nessa amargura,
nessa cólera da desventura,
no querer não sofrer.

E o tempo já foi, já não volta,
esse "tudo", agora, não mais importa
e perdeste-o sem saber.

Então concentras-te no desfrutar sem limites,
no querer e nos despiques,
de uma enorme vontade de viver.

E, concluindo, sentas-te e percebes,
és forte e fraco, não o negues,
és bom e mau, mas prossegues,..

porque és humano, nada mais.